Mundo da Lua
Felipe | 21:08 | | 0 comentários
Portanto, este texto tem como objetivo uma pequena reflexão sobre nossas grandes realizações positivas através da ciência e sobre o potencial destrutivo que existe em desacreditá-las.
Existe um movimento anti-científico que vem ganhando força, não só no Brasil, mas também no mundo. O que seria isso? Estamos diante de uma nova era das trevas? Ainda não, mas as perspectivas não são nada boas...
Segundo o instituo Datafolha, 1 em cada 4 brasileiros não acreditam na ida do Homem à lua e 7% dos brasileiros acreditam na conspiração da terra plana e por ai vai. Poderíamos falar aqui de movimento anti-vacina, negação do aquecimento global, etc.
Tratando-se apenas de Brasil, não faltam "pautas" anti-científicas: Negação do desmatamento na Amazônia, ministros da ciência desmentindo institutos científicos, universidades públicas sendo desacreditas, ministros da educação dizendo que não são pessoas públicas, conspiração comunista e por ai vai... Realmente não está fácil este 2019 (a gente sabia que ia ser ruim, mas...).
Mas, voltemos ao primeiro parágrafo. Eu me pergunto e proponho que você leitor, faça o mesmo. O que será que estes astronautas, (deste da imagem até os que realmente foram para a Lua, ou mesmo os que "apenas" orbitaram a Terra) sentiram ao olhar aqui para baixo? Aqui neste lugar onde os habitantes tentam se destruir há tanto tempo e mais andam para trás do que para frente. Será que sentiram medo? contemplação? solidão? gratidão?
Eu jamais me atreveria a responder e talvez nem os próprios saibam descrever... Mas acredito que o ser humano busca se entender e saber qual é o seu lugar, isso desde sempre. Uma experiência transformadora como sair do nosso pontinho azul (nem que seja por alguns minutos) e olhar a vizinhança para perceber que existe muito mais para explorar e conhecer, com certeza ajuda a entender um pouco mais quem somos. Buscar o entendimento do que é ser humano para aqueles astronautas, e buscar se entender como espécie para o resto de nós.
Talvez a solução seja exatamente esta para nos entendermos individual e coletivamente... O espaço, o silêncio, o vácuo que impede que o som se propague e cale todas essas vozes que estão guerreando, conspirando e brigando... Assim, quem sabe possamos contemplar aquela pequena vela de conhecimento na escuridão da ignorância que se aproxima...
Referências
Pesquisa Datafolha (O Globo) - https://oglobo.globo.com/sociedade/datafolha-1-em-cada-4-brasileiros-nao-acredita-que-homem-foi-lua-7-acham-que-terra-plana-23811192
A Conquista da Lua - Parte 1 (SciCast) - https://www.deviante.com.br/podcasts/scicast-330/
Como os EUA chegaram à Lua (BBC) - https://www.youtube.com/watch?v=oZTlnZWfyY8
O Primeiro Homem
Felipe | 16:50 | | 0 comentários
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| First Man (2018) |
Fontes
https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/programa-apollo.htm
http://apollo1.spacelog.org/
https://www.themoviedb.org/movie/369972-first-man
Marionetes
Felipe | 14:30 | | 0 comentários
"Todo ano o brasileiro é pego de surpresa pela chuva NA MESMA ÉPOCA DO ANO", ouvi esta frase no excelente podcast "Pontapé" da central3 (recomendíssimo) quando a pauta eram as tragédias e as dificuldades que foram estes primeiros, até então, quarenta e dois dias do ano.
E de fato têm sido. Não é necessário noticiar ou repercutir aqui tudo que vem acontecendo em solo Tupiniquim. Mas de fato fiquei pensativo com duas coisas:
- Como a informação é levada às pessoas
- Como estamos inseridos em um contexto sobre o qual não temos o menor controle
Sobre o primeiro ponto, é fato que o que mais temos vistos por ai, não só no Brasil, mas em todo o mundo são desinformações, inverdades, teorias da conspiração e por ai vai ... E talvez por isso, após no mesmo Podcast ouvir sobre a morte de Ricardo Boeachat e também de ver este vídeo do canal meteoro Brasil, eu tenha me abatido ainda mais. Cientistas e Jornalistas compartilham de um ideal para com a verdade. Perder alguém que se propunha a cumprir isso, seja você profundo admirador de seu trabalho ou não, é de fato muito triste. Ainda mais em tempos onde a busca pela verdade tem sido cada vez mais deixada de lado.
E ai chegamos ao segundo ponto: Não podemos controlar tudo o que acontece, mas podemos controlar nossas reações e também a forma de consumir a informação, que infelizmente se tornou um produto. Questionar, buscar fontes, interpretar, debater não são apenas atribuições de jornalistas e cientistas e sim dos próprios seres humanos que sem esta capacidade jamais teriam progredido o quanto progrediram. Por mais que nossa espécie venha falhando constantemente, é admirável termos chegado na lua ou até mesmo enviado uma música do Chuck Barry para o espaço. Compreender o mundo que nos cerca através do senso crítico é uma dádiva, mas será que não estamos desperdiçando tal talento?
Quem tem conhecimento e poder, opta pelo segundo. A engrenagem gira, o povo se mantém ignorante e as tragédias se repetem. Quem tem conhecimento sem poder muitas vezes parte para o ostracismo mediante sua própria falta de controle sobre os fatos. Nos dois casos, quem tem o conhecimento não o compartilha, o que alimenta o ciclo de ignorância e impotência.
É possível quebrar este ciclo? apenas uma questão de idealismo? O conhecimento que buscamos no início de nossas faculdades ou jornadas profissionais são maneiras de empoderamento ou apenas ocupam nosso tempo e mente enquanto nos fazem ter consciência do quanto estamos fadados a ser seres reativos?
Enquanto a resposta não chega, a boa velha busca pela verdade segue sua jornada visando satisfazer uma das mais belas características de nossa espécie: A curiosidade.

"Todos nós somos Marionetes Laurie, sou apenas a marionete que vê as cordas" - Dr Manhattan (Watchmen).
Intersecções
Felipe | 22:24 | | 0 comentários
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| Jobs em uma apresentação no ano de 2010 |
Indo na contra mão dessa cultura de encaixotar nossa vida e intelecto em uma única função ou especialidade, Jobs transitava entre diversas áreas do conhecimento. Tinha um quê de engenheiro, mas frequentava aulas de caligrafia. Assistia aulas de física, porém se via como um artista.
Não é assombroso pensar que na era do acesso a informação e do autodidatismo ainda estejamos atrelados a uma educação completamente industrial? Cada pessoa sai com uma função previamente estabelecida e deve exercê-la até o fim de sua vida. Se fez "humanas" não pode fazer contas e se fez "exatas" não pode ir vender artesanato. Por quê?
Obviamente não da para ser especialista em tudo, e a divisão do conhecimento em áreas possui seus propósitos (só não me pergunte quais). Cientistas muitas vezes dedicam a vida toda ao mesmo assunto e muitos deles não chegam a inovar ou descobrir nada revolucionário. Ainda assim as intersecções se fazem necessárias. Os experimentais precisam dos teóricos e vice-versa. O conhecimento precisa ser compartilhado por meio de eventos e congressos. As diferentes áreas precisam se conversar. Conhecimentos de Física e Matemática podem ser aplicados a Bilogia ou ao mercado financeiro e programadores podem modelar sistemas físicos. Fora o mercado da tecnologia que engloba profissionais de todas as áreas. Novamente, intersecção.
Intersecção essa que muitas vezes não ocorre entre a universidade e a sociedade, onde essa noção de "caixinha" só é reafirmada. O conhecimento é produzido mas não é levado para a sociedade, pois os acadêmicos estão muito ocupados, até que o governo mexe em seus bolsos e a sociedade não reclama pois ela não sabe que absolutamente nada do que acontece dentro de uma faculdade. Certos vampiros presidentes estão ai para comprovar isso.
Talvez a falta de intersecção universidade-sociedade faça sentido em uma cultura que manda um jovem de 17 anos decidir sua vida toda através de uma prova no final do ano. Mal sabe ele que ao findar a faculdade terá que fazer outra escolha "definidora". Mas talvez ele não deva escolher nada, talvez essa pessoa possa deixar de lado seu diploma e se tornar cineasta, por que não? As contribuições que uma formação acadêmica pode acrescentar na vida do indíviduo vão muito além de exercer ou não a profissão. James Cameron e seu bacharel em física estão ai para provar ¯\_(ツ)_/¯
Ciência com Homem Aranha
Felipe | 12:19 | ciência, Homem-Aranha, quadrinhos | 0 comentários
Que a ciência é prato cheio para as mais diversas ficções seja em quadrinhos, filmes ou séries, já é sabido por nós. Que Tony Stark, Bruce Banner, Reed Richards são cientistas incrivelmente geniais em seus mundos fantasiosos também sabemos. Portanto é normal que vez ou outra tenhamos histórias em quadrinhos ressaltando este lado de seus protagonistas, e eis que umas semanas atrás, me deparei com este texto sobre Marvels Spiderman que mostra um Peter Parker ainda no colégio e altamente interessado pela ciência. E é claro que fui conferir e gostei muito do que vi.
Não que este lado do herói nunca tenha sido explorado, afinal nosso amigo aracnídeo sempre foi do tipo nerd, estudioso e inteligente. Apesar das mais diversas roupagens nos últimos anos (o nerd estilo anos sessenta, o geek versão anos dois mil e agora o moleque de colégio), acredito que esta faceta não havia sido explorada desta maneira. Aqui temos um Peter Parker que se destaca e consegue vaga em uma escola para jovens acima da média (óbvio que por se tratar de um desenho para crianças, temos aqui os exageros e as bugigangas tecnológicas) trabalhando com um cientista extremamente renomado e com colegas que fazem pesquisa de ponta (todos do alto de seus 15, 16 anos). Apenas este fato já nos dá uma boa discussão, pois Peter não tem dinheiro para bancar seus estudos e a vê a tia viúva em vários empregos tentando ajudá-lo. Além do fato de que o próprio consegue um estágio no laboratório de Max Modell, o gênio fundador da escola. Bom, tirando o exagero típico de desenhos, temos aqui a realidade de alguns jovens que precisam trabalhar pra manter seus estudos, fazem as famosas iniciações científicas (que de uns anos pra cá são possíveis também no ensino médio) e sonham em se tornar pesquisadores de renome, ou ao menos aprenderem algo para suas vidas e profissões. A DIFERENÇA é que no universo do desenho existe uma grande valorização destes sonhos seja pelos heróis (como o Homem de Ferro organizando uma feira de ciências), pelo magnatas da cidade (fundando escolas concorrentes) ou pelos vilões (roubando tecnologia de ponta). Mas quem realmente acredita nisso são os jovens cientistas que parecem gostar e se divertir muito com aquilo, e mais: Estão sempre aprendendo que a tal dá ciência vai além de fazer contas, experimentos e artigos. Ela envolve questões éticas, morais, políticas e humanas. E nada tao humano como um simples desenho do amigão aracnídeo dá vizinhança para nos lembrar disso ;)
Veja mais em:
http://judao.com.br/marvels-spider-man-e-o-lado-mais-nerd-de-peter-parker-nos-ultimos-anos/
Tabu
Felipe | 16:45 | | 0 comentários
Se você fizer uma rápida pesquisa nas inter webs da vida pela palavra tabu provavelmente vai se deparar com alguma notícia relacionada ao futebol. Até ai nenhum problema, o pessoal do esporte adora essa palavra. E não se preocupe, se o seu time enfrenta o tabu de não vencer determinado time faz 237 anos, uma hora isso vai cair. O meu enfrentava o tabu de não ser campeão brasileiro há 22 anos e o tabu caiu, ou seja, paciência ¯\_(ツ)_/¯
O problema são os tabus fora dos esportes, nem sempre a paciência será o suficiente para derrubá-los, pois pela própria definição de tabu eles são proibidos de serem discutidos... E ai meu amigo, sem discussão fica difícil. Sabe aquela velha história: religião, política e futebol não se discute? Besteira. Escolha de time não se discute, esquema tático, sim. Fé não se discute, papel da religião na vida das pessoas, sim. Preferência política não se discute, corrupção e planos de governo, sim. Tudo é passível de discussão.
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| Discutir não significa brigar, fonte da imagem aqui |
Mas como tudo neste 2017 parece regredir, eis que vejo uma reportagem dizendo que o MEC decidiu retirar das escolas o livro “Enquanto o sono não vem” de José Mauro Brant, devido ao conto "A triste história de Eredegalda".
De forma resumida: Um rei pede a filha que se case com ele ou ela morrerá, a filha prontamente recusa e é trancafiada (O livro se baseia em vários contros populares do folclore brasileiro).
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| Trecho do conto (Retirado do G1) |
Em parecer oficial (linkado ao final do texto), o MEC diz que o tema não é adequado para crianças desta idade e diz também que todo o programa está sendo revisto.
Que o governo está reformulando tudo, Concordando ou não, nós sabemos. Mas duas coisas me intrigam:
- Não discutir um assunto tão comum na realidade de muitas crianças brasileiras: A violência doméstica
- Querer passar um pano no programa de seleção de livros
Para os mais conservadores é um absurdo crianças terem contato com este tipo de assunto, mas para eles deve ser perfeitamente normal elas verem o pai bêbado batendo na pai e não terem a menor ideia do que fazer. Em vez de proibir e recolher o livro para agradar falsos moralistas, não seria melhor orientar nossos professores para trazer uma discussão proveitosa para sala de aula e eventualmente orientar crianças que passam por problemas similares?
E sobre o segundo ponto: Parece uma birra para desfazer ações de governos anteriores (com um PUTA viez ideológico).
É realmente necessário? É esse o problema do país? Como confiar assuntos que envolvem moralidade a um bando de corruptos? Nosso ministro da educação foi citado lá em 2009 em uma operação da polícia federal, culpado ou não, devemos ficar de olho.
E nesses tempos de tabu e falta de discussões, poucas coisas nos abrem os olhos, mas tenha certeza de que o pensamento científico é uma delas. Pensar em ciência é muito mais do que equações e contas, é liberdade. Portanto, vamos nos libertar de tabus na sociedade e mantê-los no esporte, pois uma hora eles caem.
Referências
Artigo que inspirou o texto
http://veja.abril.com.br/educacao/livro-recolhido-pelo-mec-nao-e-apologia-do-incesto-e-seu-oposto/
Parecer oficial do MEC sobre o assunto
http://portal.mec.gov.br/busca-geral/211-noticias/218175739/50011-mec-recolhe-das-escolas-o-livro-enquanto-o-sono-nao-vem
Notícia sobre o caso no G1 (vejam como o título cretino)
http://g1.globo.com/espirito-santo/educacao/noticia/livro-infantil-cita-casamento-entre-pai-e-filha-e-prefeitura-de-vitoria-diz-que-vai-retirar-obras-das-escolas.ghtml
O tal do senso crítico
Felipe | 19:24 | | 0 comentários
Se você visitou este blog algumas vezes deve ter notado que o assunto cinema é algo recorrente neste espaço. Um aspecto do cinema que me chama atenção, é o papel de um cara que é quase tão odiado quanto o juiz de futebol: O CRÍTICO.
Vira e mexe eu vejo algo por ai nas internets de que fulano de tal falou que tal filme não é para os críticos e sim para os fãs, o último foi nosso querido Rei Arthur.
Não vamos entrar no mérito de que segundo ele os "críticos têm uma vida patética", mas vamos ampliar o espectro para fora do cinema e nos perguntar:
A diferença é que por mais bem argumentada que seja uma crítica de cinema, nela sempre existirá o aspecto subjetivo, a opinião. Enquanto o cientista, não pode se dar a este luxo. Outra diferença importante é que se fosse não tiver senso crítico para o cinema, no máximo você vai achar coisas como "Crepúsculo" uma maravilha, e se você vive sua vida sem senso crítico...Bem, você aceita coisas como: astrologia, terra plana, "aquecimento global não existe", "vacinas não funcionam", "o homem não foi à lua"... ¯\_(ツ)_/¯





