O tal do senso crítico


Se você visitou este blog algumas vezes deve ter notado que o assunto cinema é algo recorrente neste espaço. Um aspecto do cinema que me chama atenção, é o papel de um cara que é quase tão odiado quanto o juiz de futebol: O CRÍTICO.

Vira e mexe eu vejo algo por ai nas internets de que fulano de tal falou que tal filme não é para os críticos e sim para os fãs, o último foi nosso querido Rei Arthur.

Não vamos entrar no mérito de que segundo ele os "críticos têm uma vida patética", mas vamos ampliar o espectro para fora do cinema e nos perguntar:


O que diabos significa ser crítico?

 
The Critic (1994): o estereótipo Mór dos críticos


Fazendo aquela pesquisa marota, resolvi destacar alguns significados da palavra "crítica":

- Que faz a análise de; analítico.

- Pessoa que condena: ele se tornou um crítico impiedoso.

- Que censura, deprecia, desaprova.

- Que avalia competentemente, distingue o verdadeiro do falso, o bom do mau etc.


Interessante notar que a mesma palavra é usada para definir alguém que "avalia competentemente" e alguém que "condena". Sim, as pessoas disparam uma gatilho e logo relacionam a crítica com o apontamento de defeitos. Ora, uma avaliação competente deve apontar defeitos não deve? O engenheiro que avalia uma construção precisa ser crítico ou a edificação vai desmoronar. O cientista que está estudando um fenômeno da natureza precisa ser crítico para não ser ludibriado pelos resultados. E digo mais: A comunidade científica precisa ser crítica a ponto de avaliar rigorosamente a produção de conhecimento... Não é assim que a ciência funciona há séculos? Teste duplo cego, avaliação por pares, reprodução de experimentos, aquela história toda.

Não pense você que o cientista e o crítico de cinema falam nesse tom analítico porque eles são rabugentos (também, mas não é por isso), eles estão apenas aplicando o senso crítico, analisando e julgando baseado-se em evidências, teorias, fatos, argumentos... Indo além do senso comum que muitas vezes acaba nos ludibriando.

O senso comum jamais deve ser desprezado, ele existe por algum motivo e é justamente o senso crítico que nos permite não ser enganado pelo senso comum e também pela má fé. Não aceitar qualquer notícia na TV, não aceitar qualquer porcaria no cinema, não se deixar enganar por pseudociências que prometem e vendem sonhos e por ai vai...

 A diferença é que por mais bem argumentada que seja uma crítica de cinema, nela sempre existirá o aspecto subjetivo, a opinião. Enquanto o cientista, não pode se dar a este luxo. Outra diferença importante é que se fosse não tiver senso crítico para o cinema, no máximo você vai achar coisas como "Crepúsculo" uma maravilha, e se você vive sua vida sem senso crítico...Bem, você aceita coisas como: astrologia, terra plana, "aquecimento global não existe", "vacinas não funcionam", "o homem não foi à lua"...  ¯\_(ツ)_/¯





Referências






A dificuldade da comunicação em "A chegada"


Alguém chega em você e diz: Ei fulano, você que é formado em tal coisa (física, química, matemática,biologia...) resolve isso pra mim (como se fosse um passe de mágica)?

É uma cena familiar?

Você que estudou durante alguns anos alguma área do conhecimento, chega a encarar quase como um desaforo? "Ele tá achando que é fácil assim?"

Pois bem, é isso o que acontece em uma das cenas iniciais de A chegada (Arrival,2016) onde um militar pede para a linguista Louise Banks (a nossa musa e amada Amy Adams) "decifrar isso ai" após colocar sobre a mesa uma gravação de ruídos produzidos por seres extra terrestres. Fácil né?




Creio que só neste trecho, poderíamos fazer uma ampla discussão sobre como as pessoas NÃO compreendem a metodologia científica. Mas como o objeto de discussão do filme é a própria linguagem, vamos analisá-lo como um todo.

A cena consiste em duas pessoas olhando para o mesmo objeto, diante do mesmo contexto e chegando a conclusões completamente diferentes.

Militar: Decifra esses barulhos ai porque eu tenho que dar satisfação para a mídia. Como diria o sargento da época em que eu fiz tiro de guerra: "Te vira Negão".

Linguista: Alienígenas? É sério? Que padrão eles usam? Será que possuem alfabeto? São inteligentes? Quanto tempo até estabelecermos um padrão de comunicação?

Uma outra situação em que isso é muito comum é essa aqui:




Cena do filme "A serious man" de 2009

Professor: Resolvam este pequeno problema.

Alunos: Mas que porra é essa?

Duas pessoas, mesma situação e contexto. Conclusões completamente diferentes.

O fato é que a dificuldade em se comunicar é inerente ao próprio ser humano. Somos mentes pensantes diferentes em corpos diferentes e com experiências de vida completamente diferentes. É natural que não consigamos nos entender de vez em quando.

Se já enfrentamos essa situação no nosso dia a dia, imagine quando estamos em discussões específicas sobre áreas específicas como por exemplo uma descoberta em física, biologia, química...

Assim como no caso do militar do filme, muitas vezes é necessário dar uma "satisfação" para as pessoas e ao mesmo fazer isso de forma rápida, simples e com fidelidade ao fato. Nos dias de hoje (não só, mas principalmente) a gente sabe que a parte da fidelidade fica um pouco de lado (Acabo de lembrar da épica coletiva de Eduardo Baptista onde sobrou até para o Trump. O direito constitucional do jornalista proteger a fonte é oooooooooutra conversa).

A discussão sobre jornalismo, divulgação científica e comunicação é enorme, mas de forma simples podemos questionar se estamos realmente interessados em fazer as pessoas nos entenderem (como os visitantes do filme estavam) ou estamos apenas dando de ombros para o que o outro pensa.

Repito a pergunta para você professor (com o aluno), você pesquisador (com o público leigo) e você mãe (com seu filho quando ele não sabe por que RAIOS tem que fazer assim ou assado).

Um certo velho Barbudo que não é o Marx e nem o Papai Noel já nos ensinou que ficar vomitando informação nos outros não é o suficiente.

Analisando um filme como "A chegada" (que tem um físico apenas de enfeite o filme todo. E NÃO, eu não podia deixar isso passar) que usa Alienígenas como METÁFORA para o nosso claro problema de fazer-se entender e que discute os problemas de nossa sociedade através de uma história que tem um pézinho na nossa realidade, não pude deixar de pensar em como algumas vírgulas fora do lugar podem eleger/derrubar um presidente ou explodir uma bomba em cima de nossas cabeças ¯\_(ツ)_/¯

Ainda vamos falar muito da Amy Adams (Dá o Oscar para essa mulher!)... ops, de A Chegada (Isso sim é ficção RAÍZ) e claro de apurar corretamente informações neste humilde blog.



<3

Referências:

Para que serve seu diploma?

Se você que ainda é universitário ou já é formado não se identifica nem um pouco com algumas destas citações, temos duas opções:

1 - Você tem um talento incrivelmente acima da média em sua área de estudo.

2 - Você decidiu não se importar tanto com as formalidades curriculares.

Sou categórico ao afirmar que ao mesmo tempo em que a faculdade é um dos melhores períodos de sua vida, é também um período de extremo cansaço e estresse. Basta vermos a quantidade cada vez maior de estudantes com distúrbios psicológicos e sociais (Veja a quantidade de artigos quando se digita "universitários ansiedade"

"Ah beleza, vou rasgar o meu diploma e vender minha arte na praia..."

Se isso realmente for seu sonho, eu recomendo ;)



Tenho realmente uma admiração impressionante sobre quem consegue viver da própria arte no sentido usual da palavra: Músicos, pintores, atores.... Não vou entrar no mérito de definir o que é arte aqui, pois eu enquadro muito mais categorias além das acima citadas =O

Minha admiração vem do fato de que muitas vezes esses caras estão fora da caixinha que nos é imposta desde quando nascemos: Estude, arrume um emprego/faça faculdade (muitas vezes ao mesmo tempo), case, tenha filhos, arrume outro emprego (para manter o novo padrão de vida), aposente...

Muitos deles não passaram pelo ensino formal, ou abandonaram ou o fizeram e não exercem, enfrentam resistência da família (pois ser artista é pedir pra morrer de fome como diz o Pedra Letícia neste música aqui) e ralam tanto ou mais que quem está no esquema “40h semanais, sexta 18h01 eu odeio meu chefe”.

Este último parágrafo guarda uma grande semelhança com os que seguem a carreira científica (isso porque nem mencionei a falta de direitos trabalhistas, os amigos que ganham o triplo pois estão em carreiras mais “estáveis”, a falta de incentivo do governo, etc.) que está totalmente engessada por diplomas e títulos que servem muito bem ao microcosmo da universidade e da academia, mas fora dela tem tanta serventia quanto o diploma de preparador físico tem para um baterista.

Não me entendam mal, a ciência possui sim um caráter rígido e é esta rigidez
Que nos permite avançar como espécie e sociedade olhando para o que importa e descartando aquilo que não serve. São necessários títulos e diplomas que mostram a área de competência daqueles que analisam as descobertas de seus pares. MAS ESSES PAPÉIS SÃO CONSEQUÊNCIA DE UM PROCESSO DE BUSCA POR CONHECIMENTO E NÃO A CAUSA.

Percebem a inversão de valores? Possuir um diploma de licenciado em física não me torna mais importante do que quem está compondo e tentando tocar nos bares daqui de Bauru. Cada um de nós sente e dialoga sobre a natureza de formas diferentes, temos o nosso papel na sociedade. Assim como tem o gari, a faxineira, o humorista...

Num mundo que nos julga pela nossa produção científica e pelos nossos indicadores somos tentados a nos sentir superiores quando temos boas notas, artigos publicados ou trabalhos apresentados em congressos, mas basta colocar um dos pés para fora desse pequeno mundo acadêmico e a realidade que bate (com força) em nossos rostos é tão difícil quanto a daquele aspirante a ator que está encarando diversos testes para um papel de figurante por cinco minutos em algum filme trash: Prove seu talento e quem sabe te darei uma chance.


Então quer dizer que se eu permanecer no mundo acadêmico com todos os meus diplomas, títulos e papéis eu estou resolvido? Obviamente que não, inclusive tome cuidado para não ser devorado por seus colegas que precisam publicar mais do que você.

Quero apenas que abra seus olhos para o fato de que existe um outro mundo lá fora e que este mundo não faz a menor questão de saber quantas DP’s você tem ou quantos artigos publicou, você tem que provar o seu valor de outras formas e não me pergunte como ¯\_(ツ)_/¯



Física com Tequila #8: A Física de Usain Bolt


Nós fomos ao delírio com este homem nas olimpíadas, o que a física tem a dizer sobre este fenômeno?




Einstein, Futebol e Impeachment

"As equações são mais importantes para mim porque a política é para o presente, mas uma equação é algo para a eternidade" (Uma Nova História do Tempo Ediouro, 2005, Pág 148 apêndice sobre Einstein). 

É Einstein, você tinha razão.

Ciência e política não necessariamente andam juntas, mas vira e mexe vivem se encontrando e implicando uma na outra, a ideia de ciência como realização acima de valores humanos é balela, pois cientistas tem suas visões e ideologias, e assim era Einstein. Uma Pacifista que acabou enviando a carta que de certa forma influenciou na construção da bomba atômica (não sejamos ingênuos de imaginar que ela causou a construção sozinha, por favor) .

Por este breve relato vemos como o posicionamento político de alguém é tumultuado, turbulento e pode mudar ao longo do tempo. Obviamente Einstein se arrependeu de ter feito parte de tudo isso (mesmo não sendo o responsável direto). Mas fico imaginando hoje, será que Einstein se arrependeria de ter votado na Dilma? Será que Einstein aparecia em público com um cartaz de Fora Temer? O que ele pensaria de nosso atual quadro político totalmente polarizado, onde as pessoas discutem política como se fosse futebol e defendem sua ideologia como se fosse uma religião? Será que Einstein compartilharia memes em seu Facebook e faria textões? Pela frase que iniciou este post, acredito que não, e é uma pena que muitos não façam o mesmo. 

Em algum momento de nossa história recente (não sei dizer se nacional ou mundial) tornou-se extremamente importante você se posicionar, mostrar que entende de tudo um pouco e claro estar no grupo vencedor. Acham que Einstein se sentiu vencedor quando se viu envolvido na guerra, mesmo que indiretamente? Ele que era um pacifista nato, mas sabia das consequências terríveis caso a Alemanha construísse também a bomba e portanto precisava se posicionar. 

E nós? Em uma escala bem menor e um contexto bem diferente, mas que assim como Einstein nos sentimos na obrigação de nos posicionar, será que ganhamos algo? Será que o fato de nosso candidato estar no poder ou de nosso adversário ser removido de lá nos faz ganhar, sentir mais realizados? Por mais utópico que seja, não seria melhor darmos as mãos nesses tempos de turbulência e caos político? Analisar, pensar, criticar, revisar as ideias uns dos outros e tentar construir algo melhor? Sim, assim como o pacifismo de Einstein, isso é uma utopia. Veja bem: A pluralidade de ideias é algo maravilhoso, desde que elas sejam realmente discutidas e não levadas a cabo em sua singularidade. Vamos deixar a rivalidade pro futebol que tal? Lá eu tiro sarro do seu time porque o meu ganhou, na política eu uso um pouco do senso crítico para entender e aprender com sua opinião, do contrário nossas discussões irão acabar assim...


Física com Tequila #7: Ficção científica

Arriba! E dando sequência ao assunto de ficção científica e ciência que foi abordado aqui
o canal do Física com Tequila no Youtube lançou um vídeo a respeito


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Até a próxima!

Paradoxo dos Gêmeos?



Arriba Muchachos! Antes tarde do que nunca! E ai vai uma pequena abordagem sobre o famoso paradoxo dos gêmeos de Einstein (alguém ai falou em planeta dos macacos?)

Se quer ver um exemplo de dilatação temporal assista ao clássico planeta dos macacos (apesar desta imagem ser do filme novo)

Uma das grandes mudanças trazidas pela teoria da relatividade de Einstein, são as concepções contra-intuitivas sobre espaço e tempo. Por vivenciarmos o domínio da física clássica, algumas implicações relativísticas fogem ao senso comum. E assim também o foi durante o fim durante o início do século XX, onde os cientistas estavam predominantemente preocupados em encontrar um referencial absoluto (o éter) e explicar a propagação da luz. Poincaré e Lorentz chegaram a formulações matemáticas aceitáveis e compatíveis com as equações de Maxwell, porém as interpretações eram sempre com a visão da física clássica.


Diante deste quadro é que Einstein introduziu sua teoria da relatividade, que convergiam para um resultado matemático de acordo com as transformações de Lorentz, porém com interpretações físicas que mudavam profundamente a visão Newtoniana vigente a época.






As equações 1 e 2 são as transformações de Lorentz para dois referênciais inerciais R e R’ em movimento relativo uniforme, um em relação ao outro com velocidade V ao longo do eixo X e tempo T, sendo C a velocidade da luz no vácuo e  o fator de Lorentz.


Einstein também incorporou a gravidade em sua teoria da relatividade (esta foi chamada de relatividade geral, enquanto a anterior ficou conhecida como relatividade restrita). Porém o rompimento da noção de um tempo absoluto, já se apresentava na primeira versão da teoria. Explicitava-se uma dependência entre as grandezas físicas (espaço e tempo) com o estado de movimento do observador.


As transformações de Lorentz são simétricas com relação a velocidade, o que significa dizer que um observador B que se move com velocidade v em relação a um observador A parado, é o mesmo que dizer que um observador B é que está parado e o observador A se move com velocidade –v. Sendo assim, faz-se o seguinte experimento mental: Se dois gêmeos são separados, com um na terra e outro partindo numa nave com velocidade comparável a velocidade da luz. Quando o segundo retornar a terra, qual será a relação de idade entre os gêmeos?


Sabendo que o gêmeo que viajou está em uma velocidade comparável a da luz e que haverá dilatação temporal para este, a resposta óbiva seria que de que o gêmeo viajante estaria mais jovem que o outro quando retornasse à terra. Porém como citado acima, devido a invariância das transformações de Lorentz, poderíamos responder que foi o gêmeo que ficou parado enquanto a terra é que movimentou-se. Concluiríamos portanto que o gêmeo da terra é que está mais novo.

Está estabelecido o nosso paradoxo, pois a física clássica exige que apenas uma das respostas seja correta.




Fig 1: Relação de idade entre os gêmeos – retirado de referência [1]

Com uma análise física mais profunda, notamos que trata-se de um pseudo paradoxo com diversos tipos de respostas. Sendo uma delas dada abaixo.
Iniciamos fazendo uma consideração geométrica sobre o intervalo associado a dois eventos.

A transformação de Lorentz para o tempo (1) pode ser escrita de uma outra forma:

Equação 3


Onde Δt' é o tempo próprio e corresponde a intervalos de tempo para eventos que ocorrem no mesmo local. Este tempo nada mais é do que o tempo marcado pelo relógio que se leva consigo.


Definimos um evento como sendo um conjunto de 4 números reais designando o tempo e a posição com relação a um sistema de referência. No caso dos gêmeos, a sequência de eventos está associada com a mudança de intervalos espaciais.


No sistema de referência que mede o movimento do gêmeo que está viajando pelas transformações de Lorentz, o intervalo é dado pelo tempo próprio do observador dividido pela fator de contração de Lorentz, portanto menor que o tempo próprio do gêmeo que ficou na terra. Assim, o paradoxo é resolvido pois notamos que o intervalo do gêmeo viajante ao longo de toda a viagem é menor do que o do gêmeo terrestre. 


Uma outra abordagem também sugere que o gêmeo que está viajando precisa ser submetido a uma desaceleração para poder fazer o seu regresso à terra. Sendo assim enquanto o gêmeo terrestre permaneceria no mesmo referencial inercial, o gêmeo viajante muda seu referencial durante a viagem. Esta argumentação rompe com a argumentação de que era e terra que se afastava para longe, resolvendo portanto o paradoxo já que não existe equivalência de referenciais.



Referências

[1] MUNDO EDUCAÇÃO. Paradoxo dos gêmeos. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/paradoxo-dos-gemeos.htm> Acesso em 23 de Junho de 2016 


[2] F.T FALCIANO. Cinemática relativística. Revista Brasileira de Ensino de F´ ısica, v. 29, n. 1, p. 19-24, (2007) Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbef/v29n1/a06v29n1.pdf> Acesso em 23 de Junho de 2016


[3] UEL. Transformações de Lorentz. Disponível em: <http://www.uel.br/pos/fisicaprofissional/pages/arquivos/Eletro/4Lorentz.pdf> Acesso em 23 de Junho de 2016